sábado, 23 de junho de 2012

Todo mundo muda.

Há algumas semanas, eu estava em uma reunião da igreja e uma pergunta surgiu já no finalzinho da mesma. A pergunta era: O que mudou em sua vida nos últimos cinco anos. 

A pergunta foi direcionada a duas pessoas, mas tenho plena certeza que a maioria dos que estavam presentes naquela sala pararam por alguns instantes e refletiram: O que mudou na minha vida nos últimos cinco anos?

Eu fiz isso. Naquela mesma noite, fui até a casa de um amigo e o fiz a mesma pergunta, mas relacionado a mim. 

“Há quanto tempo você me conhece?” perguntei a ele. 

“Ah, sei lá, uns seis anos mais ou menos?” respondeu. 

“Então, acho que você pode me responder essa pergunta” eu disse, enquanto me apoiava no balcão da cozinha. “Você acha que mudei nos últimos cinco anos?” 

Ele me olhou, piscou algumas vezes e respondeu: “Em que sentido?”. 

“Sei lá... Todos?” 

“Bom, acho que você ficou mais atraente” ele sorriu. 

“Você sempre me achou atraente, isso não conta” 

Nós dois rimos. 

“Você tem razão” disse ele e então continuou: 

 “Eu acho que você está mais confiante, principalmente depois que entrou na faculdade, até comentei com outra pessoa, acho que foi com fulano sobre isso”

 Ele me olhou e prosseguiu: 

“Você parou de achar que as coisas nunca aconteciam com você”.

“Bem, elas continuam não acontecendo” eu o interrompi. 

Pausa. 

“Acho que você amadureceu mesmo, infelizmente, depois que sua mãe morreu”. 

Pausa. 

“Bem, nisso sou obrigada a concordar com você”. 

Fim de papo. 

Sim, eu mudei. Mudei muito. 

Detalhes tão pequenos e tão bobos foram suficientes para uma grande mudança, diga-se de passagem. Embora, fisicamente, eu não tenha mudado muita coisa, minha cabeça mudou, meu gosto mudou, meus amigos mudaram. 

Meus heróis são outros, minha fé está menor. Já não sou tão atraente quanto antes, agora tenho rugas nos olhos e uma expressão séria na cara. 

Já não consigo dormir antes da meia-noite, se é que isso é relevante! A minha confiança em mim mesma está menor a cada dia que passa e eu continuo sendo paciente. Ao invés de procurar mais sonhos, busco realizações. Estou farta de relacionamentos superficiais, estou farta das pessoas, estou perdendo a crença na humanidade. Parei de me fazer de vitima da situação, agora eu sou a causadora da situação. 

Meu gosto musical mudou, em partes. Sei reconhecer quando erro, quando acerto, quando tenho dúvidas. Hoje eu choro mais do que sorrio, e acredite nem sempre quando faço isso significa que estou feliz. 

Meus melhores amigos mudaram; algumas amizades foram engolidas pelo tempo, outras foram embora que nem senti; algumas já nem falo, outras já nem sei onde estão. Algumas ainda estão ai! Firmes, fortes; outras estão sendo carregadas pela barriga ou ligadas apenas por um tênue cordão umbilical que a qualquer momento pode ser extinto. 

Hoje eu sei diferenciar um “eu te amo” para um “eu te amo” e aprendi também que essa não é uma frase que se deve dizer como se diz “bom dia”. Minhas frustrações aumentaram significativamente e as coisas continuam não acontecendo para mim. 

As pessoas estão mudando, inovando, se realizando... E eu continuo na mesma, estagnada em um engarrafamento de alguns infinitos quilômetros chamado minha vida. 

Enquanto as pessoas evoluem, eu regrido. 
Enquanto elas fazem acontecer, eu espero. 

 E a culpa é só minha. 

So little time, try to understand that I'm 
Trying to make a move just to stay in the game 
I try to stay awake and remember my name 
But everybody's changing and I don't feel the same

4 comentários:

  1. Começarei pelo final: acho que se vc não mudasse, não teria escrito este texto. Quando vc escreve:

    "Hoje eu sei diferenciar um “eu te amo” para um “eu te amo” e aprendi também que essa não é uma frase que se deve dizer como se diz “bom dia”. Minhas frustrações aumentaram significativamente e as coisas continuam não acontecendo para mim."

    Isso é um sinal claro de mudanças.

    E respondendo à pergunta que vc fez ao seu amigo: acho que você deixou de ser vítima e passou a tentar lidar com o que tem.

    Acho que o próximo passo é tentar ser feliz com o que tem :)
    Mas a vida e um processo. Aos poucos vc descobre como fazer isso. Uma das coisas que sempre converso no meu trabalho é "vamos focar na solução, não no problema". Acho que isso pode dar certo com vc tbm!

    Um beijo,
    Fê :*

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ah! Mais uma coisa. Te passei o "15 coisas irrelevantes sobre mim". http://algumasobservacoes.blogspot.com/2012/06/15-coisas-irrelevantes-sobre-mim.html?showComment=1340581568500#c8054137283206904386 ;)

      Qdo fizer, me fala, pq qro ler!

      Excluir
  2. Eu falo isso para muitas pessoas, eu sou terrivelmente otimista e enquanto a vida estiver correndo isso vai ser levado dentro do meu coração como uma vela em um barco que nos ajuda a ir em frente, porque é essencial que a gente siga em frente de forma que nos agrade.

    A vida é sim difícil, e muitas vezes aquela vontade louca que nos prende a cama nos faz querer não sair de lá nunca mais, porém é importante que o impulso venha, que a vontade saia, porque ninguém pode lhe ajudar a seguir em frente.

    E nos somos uma mudança constante, e é assim mesmo, não dá pra frear isso. Somos sempre levados por alguma coisa, jogados em momentos e experiências que muitas vezes a gente nem queria ter tido, mas acontece mesmo sem nosso consentimento. As vezes é terrível, outras é apenas gostoso e te faz querer mais... o importe é sempre lembrar que no final tudo nos ensina a ser o que somos.

    E me faça um favor, nunca abandone os sonhos, eles é que nos fazem ter um pouco de esperança que no final tudo possa acontecer. Porque, afinal, somos movidos de uma esperança invisível e por mais que você diga que perdeu seus sonhos eles ainda vão estar ai, em algum lugar, mesmo que você nem sinta.

    E sim, vocÊ mudou, como todos nos mudamos diariamente.

    ResponderExcluir