sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

[um sábado qualquer]

Pitty - Equalize by Pitty on Grooveshark

Eu me acostumei a escrever os melhores textos para você, talvez isso aconteça por eu estar sempre contigo na minha cabeça. E isso não é legal, sabia? Eu imagino situações, crio casos, faço acontecer um relacionamento que não existe... Imagino situações iguais a que vou descrever agora: 

Nós dois estamos deitados na sua estreita cama de solteiro. Mais uma vez relutei em transar, e mais uma vez você me comove com a sua absurda compreensão. Eu fico em silêncio, brincando com alguns ralos pêlos do teu peito, enquanto observo sua respiração compassada: seu peito sobe e desce em uma regularidade invejável, enquanto meu coração bate freneticamente dentro do meu peito. Tento imaginar e arrisco acertar o que está passando na sua cabeça naquele momento, falho miseravelmente. 

Cogito falar alguma coisa, mas recuo, achando que não tenho nada suficientemente bom para lhe dizer àquela hora. Na verdade, a minha preocupação é acabar com esse momento que é tão mágico quanto, sei lá, os livros de Harry Potter. Então, fecho os olhos e quando os abro novamente a cena muda: eu estou deitada sozinha na minha cama, em uma noite de sábado, escrevendo para você. Um tanto deprimente, concorda? Eu também! Mas, nos últimos meses é o que acontece comigo: imagino casos, ouço o som estridente da sua risada, juro que sou capaz de ver o exato momento em que você joga a cabeça para trás e rir de alguma tentativa imbecil de fazer piadas. Consigo imaginar cada passo, sentir seu cheiro que está presente em cada pedaço da minha pele. De uma forma inexplicável, você está em mim, mas eu não sei se estou em você. O meu maior desafio agora é saber o que se passa na sua cabeça! Vai me dizer ou não? Não, você nunca diz, então eu coloco as coisas que quero ouvir em sua boca e imagino você dizendo que sente minha falta, que me deseja intensamente, que não quer apenas transar comigo. Na verdade, você quer discutir a legalização do aborto, da maconha, do diabo a quatro e então transar comigo. Ah, meu caro! Se você soubesse como eu imagino a nossa primeira transa, você irá rir! Não vou te contar! Isto é pessoal demais até para as páginas de um diário, só preciso dizer que é bom e que preciso tomar sempre um banho de água fria por causa disso. Até por que, não se trata apenas da nossa primeira vez, é especialmente, para mim, a primeira vez que estarei de fato com um cara. Já falei uma vez que nunca cheguei ao finalmente com alguém, mas com você é diferente, eu quero com você. Eu quero você. 

E então, mais uma vez as coisas mudam de figura, as imagens se formam na minha mente e vejo nós dois, andando pela rua de mãos dadas, daí você para bruscamente, me puxa e me beija. Eu não sou fã de demonstrações públicas de afeto, mas você não sabe disso, não faço questão alguma de te contar, pois, mais uma vez, não quero estragar esse momento. 

Você quer me colocar no colo, para que eu não pise na água? Eu deixo. 
Você quer me beijar até me deixar sem fôlego e você ficar excitado? Eu deixo. 
Você quer me levar para sua casa, me deitar na sua cama e dizer que me deseja? Eu deixo. 
Eu deixo. 
Eu deixo. 

Porque, meu caro, quando o assunto é você, eu me entrego por inteira.

6 comentários:

  1. Como disse. Melosamente sincero, gostei disso. Sabe, geralmente quando lemos textos assim soam forçados, como se a autora quisesse convencer se um sentimento, mas nunca é seu caso. Ficou maravilhoso, Cah. E muito bem escrito. Parabéns. =)

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  2. Doidera.
    Quando tá assim.. nesse nível...
    É doidera.
    Segura!

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  3. Eu sempre tive medo dessas intensas entregas, mas nos entregamos, não é mesmo? Uma força muito além do que possamos rabiscar, concretizar ou até mesmo sonhar, indica um caminho possível da perfeita e fina camada de entrega. Digamos que falhei, falhei absurdamente todas as vezes em que permiti que tudo em mim fosse entregue sem salvo-conduto ou um contrato que obrigasse as partes. Quando não mais facilitei a entrega, me encontrei, e assim acolhi a felicidade como um sopro e em mim guardei. Estranho, não é?
    Eu vi duas pessoas: a garota que se entrega e a garota que escreve, analisa, olha atentamente para a situação com dedos controlados, medidos em seus traços. No entanto, mesmo sabendo que são a mesma pessoa, se distanciam. Tive a impressão que em pensamento é mais fácil se entregar, e no papel também, afinal, a caneca escorrega pela brancura e se perde, na realidade nem sempre é assim...
    Confesso que não ouvi a música, talvez por não gostar mesmo da cantora e acho que fiz uma boa escolha, acredito que estregaria o seu texto, seu manifesto romântico. É bom, Cah, muito bom ler intensidades em linhas suaves. Parabéns.

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