quarta-feira, 8 de abril de 2015

Por que parei de escrever?


Essa tem sido uma pergunta que me faço todos os dias. Quando eu tinha 16 anos, eu tinha um caderno e nesse caderno escrevi essa história chamada A Volta ao Mundo Patins, não vou falar muito sobre o título, acho que ele é muito explicativo, sei que parece loucura, mas lembro-me bem da alegria que era todas as noites abrir o meu caderno de história e contar um pouco dela. 

A medida que fui ficando mais velha, diversas histórias foram contadas na minha mente, algumas foram até para o papel e era maravilhoso! A sensação de sair algo bom escrito por você é a melhor sensação que existe. Nesse meio tempo criei vários blogs, vários textos muito, que por sinal as pessoas comentavam muito, enfim, eu amava... 

Até que um dia... 

As histórias continuavam a gritar na minha mente, mas elas não queriam mais ir para o papel, então, eu era atormentada por várias histórias com início, meio e fim, mas que não queriam se mostrar para ninguém, nem mesmo para mim e isso doía. Ainda dói na verdade. Comecei a perguntar-me o que acontecia; eu amava o que fazia, amava ver as palavras criando forma em uma folha em branco e agora a folha em branco é minha maior inimiga. 

Eu não sei exatamente quando parei de verdade, não sei exatamente quando as coisas no papel passaram a não fazer mais sentido, não sei quando perdi o prazer na escrita. 

Um dos motivos que talvez tenha afetado é minha necessidade de aceitação; Infelizmente, eu tenho um defeito não muito bonito e o quão não me orgulho: eu não escrevo para mim, escrevo para os outros, e os outros são exigentes. Sempre me pergunto se as pessoas irão gostar daquilo que está escrito, pois quero ser perfeccionista em tudo. 

Sempre que eu escrevia algo, existia uma necessidade imensa de mostrar para outra pessoa, se ela dissesse que estava bom, então estava bom, caso contrário, minha segurança ia para o lixo assim como uma potencial história. 

Minha autocritica também é a maior vilã. Não consigo acreditar que posso produzir algo realmente bom e que impactasse as pessoas. Tudo que escrevo é ruim, ponto, mesmo sabendo que não é verdade. Acredito em minhas histórias, mas acho que elas também começaram a perder a fé que tinham em mim e a culpa é minha. 

Assim como o escritor acredita em suas histórias, elas precisam acreditar em seu escritor, elas precisam assegurar-se que estão sendo contadas pela pessoa certa. Eu precisava que acreditassem em mim primeiro e não o contrário. O processo é simples: a primeira pessoa que deve acreditar em você, é você mesmo, se o flow não for esse, alguma coisa está errada e o meu flow sempre esteve errado. Eu precisava/preciso que alguém me convença que o escrevo vale a pena, caso contrário, não rola.

Não sei quanto esses sintomas surgiram, sei que deixei acontecer e isso faz com que várias das minhas histórias fiquem apenas povoando na minha cabeça, sei que elas não estão felizes, pois histórias foram feitas para serem contadas e em, pelo menos, uma coisa não deixei de acreditar: Tem sempre alguém disposto a ouvi-las. 

Disclaimer: Esse post faz parte do desafio #10Daystoabetterblog, se quiser conhecer um pouco mais é só clicar aqui. (Em inglês)

Um comentário:

  1. Oi, Cah.

    Começando pelo fim: eu estou disposta a te ouvir. SEMPRE!
    Voltando ao começo, você sabe por qual motivo você sentiu prazer em escrever A volta ao mundo de patins? Porque você escrevia para você. Única e exclusivamente. E isso é que é bonito. Escreve no caderno, porque fica mais difícil de você compartilhar. Talvez o amor pela escrita volte com mais força.

    Você é incrível e eu tenho certeza que ainda terei um livro seu autografado! :)
    (aliás, digite este caderno, porque eu quero ler. Adorei o título!)

    Um beijo,

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