segunda-feira, 21 de março de 2016

Como eu era antes de você, de Jojo Moyes.

Apesar de ser uma leitora assídua, poucos livros me deixaram tão devastada e com o coração tão apertado; a última vez que isso aconteceu foi com Um dia, de David Nichols e até hoje não sei se consegui superar todo aquele torpor de emoções que me invadiram, no entanto, um livro conseguiu essa façanha de me devastar completamente, esse livro foi “Me Before you” ou “Como eu era antes de você”, da Jojo Moyes. 

Disclaimer!!!

Antes de escrever os outros parágrafos desta resenha, devo avisar que estou sob forte emoção depois da leitura finalizada, então pode ser que uma coisa ou outra saia emocionada ou dramática demais. Estou muito triste, sério. 

Eu já tinha lido um romance da Jojo Moyes que abalou um pouco minha estrutura, trata – se de Um mais um, prometo que em breve faço a resenha dele, a escrita da autora é fácil, leve, parece que ela está sentada ao seu lado, com uma xícara de chá, te contando uma bela história. 

Em Como eu era antes de você, ela não foge à regra, só que dessa vez, ela tá segurando uma faca e apontando direto para o lado esquerdo do seu peito. Falei que seria dramática. 

Louisa Clark é uma jovem de 26 anos presa em suas roupas engraçadas e antiquadas, em um relacionamento sem perspectiva e em uma família que é sustentada por ela; desempregada e desesperada, ela tenta de todas as formas arrumar um emprego para manter a estabilidade financeira da família, nesse ínterim, consegue uma vaga como cuidadora de um homem tetraplégico por seis meses. 

Will Traynor é um cara de 35 anos, empresário, inteligente e espirituoso, no entanto, um acidente de moto o deixa tetraplégico e sua vida completamente muda completamente depois disso. Lou será a cuidadora de Will e é aí, onde a mágica começa. 

O relacionamento deles começa muito conturbado, mas depois, como magia, uma cumplicidade começa a surgir e o que era uma simples relação entre cuidadora e paciente, torna – se uma amizade e um amor intenso e lindo. 

Eu poderia, simplesmente, acabar a resenha dizendo: “Vocês precisam ler esse livro antes de ver o filme”, mas isso não seria o suficiente e sinceramente, não expressaria metade das coisas que preciso falar sobre essa obra, se bem que não tenho certeza se irei conseguir de qualquer maneira. 

A escrita de Moyes é um primor, como disse antes, parece que ela está sentada ao seu lado, contando a história, de cara, você não entende bem o que é tá acontece, mas no decorrer da leitura, as coisas começam a se encaixar e tomar forma ali diante dos olhos, e é uma sensação muito triste, pois o leitor começa a aceitar aquilo e mesmo que vez ou outra a esperança apareça, logo se esvai com o desenvolvimento do final. 

Esse livro me fez pensar em muita coisa. Fico pensando em Will, penso que ele poderia mesmo ter uma vida boa se não desistisse, mas também acredito que poderia ser igualmente miserável, mesmo ele estando do lado da mulher que amava e isso, e isso me faz lembrar Lou, uma pessoa que não tinha perspectiva, mas que descobre, através dele, que sua vida não pode e nem deve ser limitada a apenas aquilo que tinha que por sinal, era muito pouco. Louisa merecia mais e Will sabia e deu isso a ela e vice-versa. Todo o empenho dela para fazer a vida dele parecer um pouco melhor foi louvável, admirável e você podia, simplesmente, sentir o amor, e quando digo sentir, digo no sentido real da palavra. 

Sabe aquela máxima de A Culpa é das Estrelas, em que Hazel diz que Gus colocou alguns números a mais em seu infinito? É assim que acho que Lou e Will fizeram, eles deram mais números aos seus pequenos infinitos. 

Eu não vou falar sobre toda a parte técnica do livro, basta dizer que é muito bem feita, o que me deixou muito apaixonada pela história foi a descoberta de Lou, a descoberta de quem ela realmente ela além de casa e fora de um relacionamento sem perspectiva. 

Foi muito tocante ver todo o crescimento dela durante a leitura, é notória a mudança de Louisa no início da obra: acomodada, sem perspectiva e insegura para a Lou do final, assim como também vemos a mudança de Will e é isso que nos dá um pouco de esperança de que as coisas mudem no final, mas isso não acontece. 

Depois da leitura, parei um pouco para refletir sobre as escolhas e descobri que tenho um pouco de Louisa e Will em mim. Acho que todos têm. Perguntei-me por algumas vezes o que eu faria no lugar de Will, então lembrei que há um ano, quebrei o pé e fiquei totalmente dependente da minha família por alguns meses, foram meses e a sensação é péssima! Imagina ficar anos preso em uma cadeira de rodas? 

Algo que me chamou muita atenção foi como Jojo Moyes tratou dos problemas enfrentados pelos deficientes físicos, a autora não precisou gritar ou escrever diversos capítulos sobre isso; a pequena sacada no comportamento das pessoas, inclusive na própria família, mostra a sutiliza da autora para tratar do assunto. 

Como eu era antes de você não é apenas uma história de amor, acredito que é mais superação, sobre escolhas, sobre lidar e aceitar a escolha dos outros, mesmo que isso determine o futuro de uma delas; é sobre como alguém, mesmo sem querer, pode mostrar aonde você chegar, mesmo quando você não consegue ver. O final é muito previsível, é exatamente aquilo que você esperou acontecer durante toda a leitura, e apesar de se preparar para isso, dói; E você não aceita e você não supera, mas você entende e passa acreditar que alguns amores, para serem eternos, não precisam ser estar fisicamente unidos.


Um comentário:

  1. Meu Deus, Cah!
    Você poderia ler os meus livros e resenhá-los apaixonadamente assim! uahahahha

    Acho que sou a única no mundo (#diferentona) que não sente vontade de ler os livros dela! :P

    De qualquer forma, adorei a resenha!

    Beijos,

    Algumas Observações

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