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sexta-feira, 2 de julho de 2010

Só "rezo"

Todo mundo sabe o quanto sou chata para essa coisa de música, principalmente quando se trata de "modinhas" (lê-se NX Zero, Cine, Restart, Hori e mais uns coloridos perdidos no mundo.), mas hoje aconteceu algo bem engraçado diga-se de passagem. Enquanto estava voltando para casa, ouvia uma rádio aleatoriamente (estou meio enjoada das músicas do meu player e sem saco para caçar mais) e começou a tocar essa música chamada Só Rezo. A letra trás o seguinte: "Mas posso ver uma luz lá no fim, Será que alguém ainda olha por mim? Não me julgue por não ser igual, Carrego a verdade aqui no olhar". Eu simplesmente parei e fiquei pensando no que ela diz. 

A lição é tão simples, tão bonita e tão facilmente interpretada que muitas vezes se passa batido. Particularmente sou uma pessoa muito pessimista, nunca consigo ver o colorido nas coisas pretas e brancas ou ter um "cadinho" de esperança com alguma coisa, mas quando ouvi exatamente essa parte da música, pensei: "Como sou egoísta a ponto de achar que as coisas nunca darão certo para mim?" 

Eu carrego uma verdade, a minha verdade. Aquela pela qual luto todos os dias ao acordar, ao enfrentar a correria do dia a dia, ao suportar todo e qualquer tipo de coisa seja ela boa ou ruim. E acredito sinceramente que cada um carrega a sua própria verdade! Construída através de experiências, vontades, gostos, persistência. Cada indivíduo tem a sua fé, seu credo e, mesmo que involuntariamente, está sempre atrás de algo mais concreto, mais verdadeiro, mais real. Eles sempre carregaram a verdade deles nos olhos deles e ninguém é capaz de tirar isso de ninguém! E ninguém deve permitir que sua verdade seja lhe tirada para defender a verdade de outrem.

E no refrão da música ele ainda diz: "Eu só rezo, para ficar bem", isso me lembra o que fazemos todas as noites, até mesmo os ateus, agnósticos, adoradores do mar, do sol, da lua, de qualquer coisa, quando chega a noite a gente "reza" e no final sabe que tudo acabará bem.

Não sei porque, essa simples música de batida leve, descontraída me levou a tamanha reflexão. Como eu ja disse, não gosto da banda e que fique claro isso, não gosto do estilo, mas aconselho a tirarem um tempo e ouvir essa canção. Ela não precisa ser o hino da sua vida, até por que não será da minha, mas talvez alguns versos dela possa parar no perfil do orkut, na bio do twitter ou em qualquer outro lugar, pois ela com certeza irá representar algo para quem ouve. 

Só Rezo
Nx Zero. 

Quando não tenho mais pra aonde ir
No meu céu não tem mais estrelas
Aonde foi parar a coragem?
Tô cansado, mas não desisto

Mas posso ver uma luz lá no fim
Será que alguém ainda olha por mim?
Não me julgue por não ser igual
Carrego a verdade aqui no olhar

Eu só rezo pra ficar bem
Eu sei que vai
Acredito que vai ficar tudo bem

Só Deus sabe o quanto eu corri
E o que fiz pra chegar aqui
Esse mundo não é mais meu
Não me rendo nem me entrego

Só quero ser o que eu sou
Só não quero mais ter que mentir
Pois ainda não encontrei o que eu procuro

Só quero ser o que eu sou
Só não quero mais ter que mentir
Pois ainda não encontrei, ainda não encontrei
Eu só rezo pra ficar bem

Rezo pra ficar bem
Pra ficar bem





 
 
A única certeza que temos na vida é que tudo, sem excessão, acaba bem. Sempre. Just believe it.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Nosso Tempo

Um mês se passou desde a última atualização desse blog, confesso que fiquei com preguiça de atualizar, mesmo tendo três posts prontinhos para colocar aqui. Mas hoje, eu estava andando por aí, orkuts alheios e tudo mais e encontrei um texto fabuloso de George Carlin. Um texto simplesmente lindo e bem real! Por que simplesmente esquecemos de fazer coisas simples e notar pessoas espetaculares ao nosso lado. 

Nosso Tempo.

George Carlin
Nós bebemos demais, fumamos demais, gastamos sem critérios, dirigimos rápido demais, ficamos acordados até muito mais tarde, acordamos muito cansados, lemos muito pouco, assistimos TV demais e rezamos raramente.
Multiplicamos nossos bens, mas reduzimos nossos valores. Nós falamos demais, amamos raramente, odiamos freqüentemente. Aprendemos a sobreviver, mas não a viver; adicionamos anos à nossa vida e não vida aos nossos anos.
Fomos e voltamos à Lua, mas temos dificuldade em cruzar a rua e encontrar um novo vizinho. Conquistamos o espaço, mas não o nosso próprio.
Fizemos muitas coisas maiores, mas pouquíssimas melhores.
Limpamos o ar, mas poluímos a alma; dominamos o átomo, mas não nosso preconceito; escrevemos mais, mas aprendemos menos; planejamos mais, mas realizamos menos.
Aprendemos a nos apressar e não, a esperar.
Construímos mais computadores para armazenar mais informação, produzir mais cópias do que nunca, mas nos comunicamos menos.
Estamos na era do 'fast-food' e da digestão lenta; do homem grande de caráter pequeno; lucros acentuados e relações vazias.
Essa é a era de dois empregos, vários divórcios, casas chiques e lares despedaçados.
Essa é a era das viagens rápidas, fraldas e moral descartáveis, das rapidinhas, dos cérebros ocos e das pílulas "mágicas".
Um momento de muita coisa na vitrine e muito pouco na dispensa.
Uma era que leva essa carta a você, e uma era que te permite dividir essa reflexão ou simplesmente clicar 'delete'.
Lembre-se de passar tempo com as pessoas que ama, pois elas não estarão por aqui para sempre. Por isso, valorize o que você tem e as pessoas que estão ao seu lado.

domingo, 9 de maio de 2010

Delírios de uma mente viajante

Delírios de uma mente viajante.

Era uma vez um homem que vivia trancado dentro de um quarto escuro, apenas com um colchão duro, alguns lençóis sujos e um penico, ele se chamava Caio... Não! Esse não é um conto de fadas apesar de começar com “Era uma vez”... Essa na verdade é a história de Caio que um dia foi taxado de louco só porque sonhava um pouco.

Quando tinha 17 anos, Caio contou algo sobre ET's e da visita que tinha feito a um planeta distante, mas ninguém acreditou nele. Até que um dia uma forte luz verde entrou no seu quarto, fazendo com que toda a casa ficasse iluminada. Seus pais, que na hora assistiam um noticiário na TV que falava sobre guerras, terremotos, bolsas em baixa, crise econômicas, ouviram um barulho estranho e apenas gritaram de onde estavam: - Caio, você vai incomodar os vizinhos! Mas Caio não ouviu e a luz tampouco desapareceu.

Aquilo estava começando a ficar sério demais! A luz não apagava e Caio nada falava, então seus pais subiram até o seu quarto para saber o que estava acontecendo. Mas Caio não estava mais lá... A cama estava desarrumada como sempre ficara, o quarto uma bagunça só, mesmo assim eles procuraram-no por todas as partes, dentro do armário, embaixo da cama, no banheiro, olharam pela janela, mas nada de Caio. E não era apenas Caio que tinha sumido a luz verde também.

O desespero tomou conta dos pais do rapaz, a mãe, coitada, quase cai da escada enquanto descia as escadas gritando desesperada: “Cadê meu filho! Cadê meu filho!” Ela era uma velha desconjuntada, tinha cabelo ruivo que vivia sempre preso num coque, vestia roupas largas, era gorda e com nariz empinado. O velho pai do garoto nem fala, por pouco não teve um infarto.

O Sr. Pai e a Sra. Mãe de Caio saíram correndo pela vizinhança atrás do pobre rapaz, estava frio lá fora e se ele tivesse sido enterrado pela neve? Mais não havia neve lá fora e se um louco tivesse sequestrado o rapaz?! Eles eram tão podres que nem sabiam como pagariam resgate! Toda a vizinhança foi alertada sobre o sumiço do garoto, mas ninguém sabia explicar como ele tinha sumido.
Não muito distante dali, apenas há alguns anos luz de diferença, Caio estava jogando baralho com seus novos amigos que não eram verdes como diziam a maioria dos filmes e livros, nem tinham cabeça achatada e nem dedos pregados. Ah! Sim! Claro, eles eram de fato estranhos, mas muito legais e ao contrário do que todos poderiam imaginar eles trataram Caio muito bem e faziam perguntas o tempo todo sobre coisas da vida de Caio. Como eram os humanos? O que comiam? Quando comiam? Essas coisas.

Caio junto com seus amigos conheceu galáxias, mundos, “seres” diferentes, bebeu uma água pastosa que tinha gosto de suco de laranja sem açúcar, ensinou-os a jogar futebol, basquete, vôlei e outros esportes, até os ensinou a escrever – mesmo que eles tivessem uma péssima coordenação motora – aprendeu a exercitar a paciência e o respeito. Com o tempo passou a gostar daquele “povo” e não queria mais sair de lá! Pelo menos ninguém o tratava como um maluco delirante, nem como um garoto imaturo, nem tampouco como um louco!

Lá aqueles seres o entendia como ninguém o fizera! Lá Caio não tinha noção de tempo, então provavelmente já tinha duas semanas que estava lá com eles. E ó como era feliz... Até que um dia, o grande mestre daqueles seres disse que Caio teria que escolher entre lá e aqui... Escolhas era uma coisa que Caio não fazia, na verdade nunca tinha feito, faziam por ele... No café da manhã “Não você não pode comer bacon, você vai comer torradas”, na loja de roupas “Você não pode comprar azul, você vai levar a branca”, na loja de sapatos “Tênis não combina com você, vamos levar o sapato”, na escola “Você não é bem vindo aqui” e até mesmo em casa... “Está de castigo e não poderá sair até para de agir como louco”. O pior parte de tudo isso é que ele simplesmente não podia discordar, se não, era bronca na certa.

Mas ele sentia falta da mãe, do pai e do quarto bagunçado. Não queria voltar, apesar da saudades, mas, queria apenas ter a oportunidade de dizer adeus. Então, naquele dia os seus amigos lhe levaram de volta para casa...

Ouviu-se um grande barulho na casa do Sr. Pai e da Sra. Mãe de Caio e vinha do andar de cima, justamente do quarto de Caio! A sra. Mãe de Caio subiu as escadas ofegantes, com um misto de medo e apreensão... “Ah, se for mesmo ele!” as pessoas que estavam na sala - os vizinhos da direita, os vizinhos da esquerda, os vizinhos da frente, o policial gordo e baixinho e os vizinhos dos fundos – deu para perceber que muita gente estava lá naquela noite, como eu ia dizendo, todas essas pessoas subiram até o quarto do garoto para ver do que se tratava o barulho, que foi provocando pela quebra da cama de Caio quando ele caiu em cima dela.

Quando a mãe de Caio abriu a porta e o viu deitado na cama quebrada e todo desengonçado, sorrindo para ela, o nariz da velha inflou e por um momento parecia que ela iria cuspir fogo, mas Caio não notou isso, então levantou-se e perguntou: “Sentiram saudades?” e sorriu.

“Saudades?” ralhou o Sr. Pai dele, “Você desaparece durantes horas e vem perguntar se estávamos com saudades??”

“Horas?” indagou o rapaz “Eu passei dias fora” Vocês precisavam ver o tamanho dos olhos dele quando disse isso.

“Ah! Sim, agora ele enlouqueceu de vez Arnaldo” berrou a velha mãe do rapaz. Não demorou muito e Caio se viu sendo empurrado para dentro de uma velha ambulância amarrado em uma camisa de força, sem entender nada do que acontecia começou a gritar que não era louco e que tinha visto seres... “Não me venha falar disso novamente” choramingou a sra. Mãe dele.

Então foi assim que Caio foi parar em um lugar para loucos, onde se trancou dentro do quarto negro e não saiu mais. Há quem diga que as vezes fortes luzes verdes apareçem no seu quarto e ouve-se gargalhadas, mas isso não vem ao caso, afinal de contas quem acreditaria em um simples conto de um rapaz maluco que disse que viu “ET's” e que eles são seus melhores amigos? Mas como eu dizia no começo do conto...

Era uma vez um homem que vivia trancado dentro de um quarto escuro, apenas com um colchão duro, alguns lençóis sujos e um penico, ele se chamava Caio...

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Sophia e Caio

Ele não demorou muito a chegar em casa, por sorte assim que desceu do velho sobrado um táxi ia passando, ofegante informou ao motorista onde deveriam ir e em menos de dez minutos estava parado na frente da sua casa, respirou fundo e entrou... Sophia estava sentada no sofá segurando um pequeno lenço de papel que usara para enxugar as lágrimas, estava com um vestido tomara-que-caia preto, um pouco solto que não revelava o seu segredo mais intimo, suas sandalias estavam jogadas num canto na sala, seus cabelos estavam despenteados e a maquiagem manchava-lhe o rosto impiedosamente, em seu colo o aparelho que usou para falar com ele.

- Soph... - ele murmurou aproximando-se dela.

- Não Caio! - sussurrou quase inaudivel.

- Por favor me perdoe! - Ele segurou os seus braços carinhosamente.

- Não! - Levantou-se do sofá. Não queria os carinhos dele! Não naquele momento!

- Sophia por favor! Eu prometo que foi a ultima vez que aconteceu. - Caio estava quase desesperado.

- Você também disse que seria a última vez que iria se atrasar quando fosse me pegar na escola, também disse que seria a última vez que iria esquecer do nosso aniversário de namoro, é sempre a última vez não é Caio?! - Sua voz estava quase alterada. - Não sei o que se passa por sua cabeça! Não conheço mais você! Desde quando se enfiou naquela maldita igreja com seus surtos, seus sonhos ou seja lá como se chamam aquelas porcarias que você simplesmente esqueceu que existo!

- Não é! Você sabe como essas coisas são importantes para mim.

- E eu?! O que eu sou pra você Caio????? - Grandes lágrimas brotaram nos olhos da moça. Não podia mesmo está ouvindo aquilo. Os sonhos eram mesmo mais importantes que ela? - Meu Deus eu não estou ouvindo isso. - Levou a mão a testa e deixou que as lagrimas caissem livremente sobre seu rosto, estava realmente doendo.

- E... Eu não quis dizer isso, Soph! - Caio tentou retratar o que tinha dito. - Você é importante, mas...

- Mas esses sonhos são mais importantes que eu! Não aguento mais isso Caio! Não aguento mesmo. - Ela caminhou até um canto da sala e então ele notou alguns volumes dispostos entre a porta do quarto e sala.

- Malas? - disse incrédulo. - O que está fazendo Sophia?!

- Não aguento mais isso! Fique ai com seus sonhos idiotas, tentando decifra-los e quando descobrir o que eles realmente significam que não seja tarde demais. - Ela terminou de falar assim que o táxi que havia chamado buzinou na porta. Arrastou sozinha duas grandes valises pretas.

- Sophia não faça isso comigo! Eu te amo e você sabe disso, podemos superar isto juntos, mas por favor não me deixe. - Os olhos assustados de Caio estavam cheios de lágrimas, não podia acreditar naquilo, ela estava mesmo deixando-o? Tentou impedi-la de sair, sem muito sucesso, pois o proprio remorso tomou conta do seu corpo. Colocou as mãos no rosto, não podia deixa-la ir, mas também não ela não poderia ficar ali enquanto ele tentava desesperadamente achar a solução para o seu problema. Deu as costas para não ter que vê-la entrando no carro e ir embora...

Ela por sua vez saiu devagar do local, ainda na porta olhou para o homem com quem conviveu durante todo o tempo, o homem a quem amava mais que a si mesma, o homem pai do seu filho. - Eu te amo mais ainda, Caio. - Foi a única coisa que conseguiu dizer diante de toda aquela situação, os ombros dele estavam balançando, ele estava chorando. A vontade de abraça-lo e dizer que ficaria ali para sempre com ele, foi interrompida por um turbilhão de más lembranças que povoavam sua mente naquele momento. Desceu as escadas pesadamente, chorando, acariciava o ventre, sentia dor, mas não podia mais viver com Caio, não daquela forma. Entrou no táxi e partiu, olhou para trás para ter a sorte de vê-lo a ultima vez, em vão. Deixou que o choro que estava preso na garganta esvaziasse por todo o seu ser. O taxista a fitou assustado, mas ela não ligou, continou deixando que sua dor saisse em forma de lágrimas e soluços.