sábado, 14 de janeiro de 2017

Crônica de um futuro presente.

As duas estavam sentadas na praia observando o pôr do sol em total silêncio, tudo acontecera de uma forma muito louca e imprevisível o que as levou àquele momento. Foi a mais velha que tomou a iniciativa e quebrou o silêncio. 

 - Sei que tudo está muito confuso para você. - disse ela sem tirar os olhos do espetáculo que acontecia a sua frente. 

 - Confuso? Eu tô meio perdida com isso. Até agora sem entender como isso é possível. - a mais nova balançou a cabeça. Respirou fundo e observou o ponto avermelhado de luz que beijava o mar naquele momento. - Como isso é possível… - sussurrou ainda sem acreditar. 

 - Gostaria de ter uma explicação plausível para isso, mas ainda não existe máquina do tempo 

 - 15 anos depois e eu continuo tão inútil em algumas coisas – a menina deu um sorriso nervoso. - Nah – riu a mais velha – você já foi inútil em momentos piores que esse. 

 - Então… - A mais nova começou – como é o mundo lá? 

 - Não é um lugar muito melhor do que esse – a mulher pegou uma bala e colocou na boca – Temos um idiota ocupando o lugar mais importante do mundo e um golpista governando o Brasil, estamos afundando aos poucos. 

 - Isso soa tão 1964. 

 - Uau, eu prestava mesmo atenção nas aulas de história. - A mais nova riu. 

 - Caso não lembre, você costumava ser uma das melhores na classe e tinha uma professora petista. - Ambas riram. 

 - Apesar de tudo tá uma loucura, ainda existe humanidade nas pessoas, o que é engraçado, pois isso deveria ser algo inerente porém, aos poucos, começamos a nos perder, inclusive haverá momentos em que você ficará bem perto de perder essa essência, quando isso acontecer, escolha o que o seu coração mandar. Seu coração ainda é puro, tente se lembrar sempre disso, mesmo que machuque, mesmo que, por diversas vezes, isso seja difícil. Conserve a tua essência, você vai sentir falta disso. - A mulher respirou fundo. 

 - Eu serei rica? - a menina perguntou timidamente. - Acabei de te dar um sermão sobre como ser uma pessoa melhor – gargalhou a mulher – e você me pergunta se vai ser rica? 

- O mais nova baixou os olhos meio envergonhada e foi notada – Sei que as coisas estão bem difíceis agora, mas elas vão melhorar no seu tempo, apenas tenha paciência, ok? - A menina concordou com um aceno e um sorriso. - Seu sorriso é realmente lindo. 

“Vai demorar muito para as coisas acontecerem, mas você precisa ter fé. Haverá momentos em que se sentirá sozinha e andará sempre com um sentimento de não pertencimento, quando isso acontecer, olhe ao redor, respire e veja as pessoas, você não é tão especial assim, mas para aqueles que estão ao seu lado, você é mais do que especial, procure-os.” 

“Você vai se apaixonar muitas vezes e vai amar uma única vez, até lá, proteja o seu coração, mas isso não vai evitar de sofrer, porém certifique-se de que esse amor vai durar tempo suficiente para ser inesquecível ou eterno, nunca se sabe; vai levar muito tempo para acreditar em si mesmo, a verdade é que você é muito boa em tudo que faz, é inteligente, bonita, o problema é que não diz a si mesmo com frequência e olhe-se mais no espelho… As pessoas vão te cobrar muito isso um dia.”

- Você também vai realizar seus maiores sonhos – os olhos da mais nova se arregalaram com um brilho incrível. - Sim, você vai conhecê-los, mas tenha paciência, tudo acontece em seu tempo. Em contrapartida, você abrirá mão de muitos sonhos em prol dos outros e vai doer. 

“Não tenho muitos conselhos para te dar, a verdade, é que a vida vai ser bem árdua, mas os frutos aparecerão lá na frente.” - Ela respirou fundo – Por um momento, achei que iria te xingar e culparia por todos os erros e fracassos, por todas as péssimas decisões tomadas e as que vão acontecer mais na frente e serão muitas, mas percebi que sem isso, eu não estaria aqui, neste ponto. Acho que cabe um obrigada nisso tudo? 

- Não entendo o motivo do agradecimento, não fiz nada e pelo que você está me dizendo continuarei não fazendo muita coisa. - A menina respirou fundo – Eu não acredito que aos 30 anos ainda não terei terminado uma faculdade, aos 30 era para estar num doutorado ou algo parecido com isso, teria uma família, uma casa, um carro, minha mãe estaria orgulhosa de mim e meus irmãos estariam arrependidos por todas as merdas que eles me fazem passar. Além disso, eu já teria viajado o mundo todo. - Sua voz embargou um pouco – Me desculpa, mas você é um fracasso, eu sou um fracasso e a culpa é minha. 

- Não completamente. Você, ao menos, conseguiu chegar até aqui – Apontou para ela mesma – Algumas pessoas dariam de tudo para estar no seu lugar. - Aquela altura o sol já tinha se despedido e a lua cheia acompanhada de estrelas iluminavam a noite. 

 - Ainda temos uma grande estrada pela frente, a garantia que dou é que as coisas podem não ter começado bem, mas elas sempre acham o caminho. Nós vamos encontrar o caminho. - A mais velha levantou-se e limpou a calça suja de areia. - Acho que preciso ir, se a nossa conversa andar um pouco mais, vai ser um show de spoiler.

- Um show de quê? - perguntou a menina confusa. - Você vai aprender sobre isso – a mais velha deu uma gargalhada gostosa. 

- Acho que, no final das contas, vou aprender muita coisa. - A menina deu um sorriso tímido. 

- Vamos sim. - As duas se abraçaram ternamente. - Agora entendo o motivo de todos dizerem que meu abraço é bom! - A mais nova riu, emocionada. - Tem mais uma coisa antes ir. - Ela segurou o rosto da mais nova e ambas ficaram se olharam; não havia mudança nos olhos, no nariz ou na boca, parecia que o tempo não tinha efeito sobre elas, para não dizer que não tinha diferença, as linhas de expressões estavam mais acentuadas na mais velha. - Eu te amo, muito. 

- Eu não costumo me dizer isso com frequência. - disse a mais nova em meio a lágrimas. 

- Eu sei e você vai aprender isso também. - a mais velha então se afastou e num piscar de olhos já não havia ninguém na praia.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

O últimos cinco anos

Oi, gente! 

Sei que não apareço por aqui há um tempo, e nem vou dizer que é um ensaio para o retorno, não é, não se iluda e não crie expectativas. A verdade é que decidi postar aqui um desafio que uma amiga fez. 

Está rolando uma corrente no Facebook, onde a pessoa recebe um número e tem que enumerar as coisas que aconteceram em 2016 com aquele número. Exemplo, alguém me deu o número 11, tive que falar 11 coisas que aconteceram comigo em 2016. Parece meio difícil, até porque 2016 não foi um ano fácil para todo mundo. 

Tá, mas como cheguei até aqui com esse post, acontece que uma amiga minha me deu essa missão de escrever 1 coisa legal que tenha acontecido comigo nos últimos cinco anos. Nossa, eu mal consigo lembrar o que aconteceu ontem. (risos). 

Fiquei pensando que não tem como listar uma coisa, até porque muita água rolou nesse caminho desde 2011 até hoje, 28/12/2016. Então, resolvi fazer uma retrospectiva maior, uma retrospectiva que abrangesse os cinco anos, vai ser muita coisa…

É a única coisa que tenho certeza, mas, para não estender muito, irei escolher duas coisas importantes que aconteceram durantes os anos e colocarei alguns bônus, por motivo de: a gente sempre esquece alguma coisa. 

2011 

1 – Eu fui ao show do Backstreet Boys e conheci minhas melhores amigas. 
Isso é bobagem para muita gente, mas sempre fui fã do Backstreet Boys. SEMPRE. Afinal de contas, eles me deram muita coisa boa e isso é inquestionável. Minhas melhores amigas vieram através da música deles, minha paixão insana pelo inglês apareceu depois que ouvi Get Down na rádio.
Muita coisa do que sou hoje devo a esses caras, então, só tenho a agradecê-los por isso. Ir a esse show foi mais do que ver o grupo que amava cantando, foi também a oportunidade que tive que ver, pela primeira vez, minhas melhores amigas. 
A gente se conhecia pela internet, mas nunca tínhamos nos visto pessoalmente, foi a partir daí que percebi que algumas amizades valem a pena, lembro de uma frase que uma delas disse, logo depois de acabar o show: “O bom é que todo mundo é legal pra caramba”. 


Bônus: Conheci meu BSB favorito nesse combo! 


2 – Perdi meu cachorro. 

Luque chegou aqui em casa parecendo um cachorro de desenho: magro, desengonçado e desnutrido, rapidamente, se apegou a mim e a minha mãe – ela nunca curtiu animais – ele foi diagnosticado com desnutrição em alto nível, a gente tinha quase certeza que ele não ficaria muito tempo conosco. Milagres acontecem e Luque ficou 6 anos conosco, inclusive, ele sobreviveu a morte da minha mãe – eu jurava que iria perdê-lo. 
Luque teve uma infecção no fígado e mais complicações por causa da doença do carrapato, a dor era tão grande que ele não conseguia levantar para tomar água, até que eu e minha irmã decidimos levá-lo para o sacrifício. Foi a decisão mais difícil da minha vida e foi o maior aprendizado que tive: nós sabíamos que ele não sobreviveria, deixá-lo morrer por conta própria seria um egoísmo sem tamanho, foi melhor para ele e melhor para nós. Fica ai a foto do cachorro mais lindo que já habitou neste mundo. 



2012 

3 – Viajei a São Paulo pela primeira vez 

São Paulo sempre um daqueles sonhos que estavam distantes, mas juntando migalha aqui, migalha ali (peguei o dinheiro das férias e fui), arrumei as malas e fui até a maior cidade do país. A cidade é maravilhosa! Fiquei apaixonada. Imagina que uma pessoa que sai de Aracaju – que deve equivaler ao tamanho de um bairro em SP – e vai para uma cidade em que tudo corre muito rápido e nem preciso falar do tempo, né? Em SP conheci a Fernanda e a Jaqueline, duas das minhas melhores amigas hoje e revi outros amigos e… 

4 – Me apaixonei pra valer por alguém. 

Pois é… Como diria a Jaqueline “a pessoa sai do nordeste para arrumar namorado aqui, eu moro aqui há anos e não tive essa sorte”.  

Bônus: Nasceu o Nosso Clube do Livro, projeto criado por mim, pela Fernanda e pela Suelen.
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<3 b="">2013 

5 – Assumi meu cabelo crespo e minha negritude. 

Esse foi, sem dúvida, uma das coisas mais difíceis que aconteceram comigo em 2013. Hoje consigo falar sobre isso com uma naturalidade maior, mas foi complicado, foi duro. Minha estima nunca foi das melhores, e parte disso era por causa do meu cabelo. Já era complicado ser negra, imagina se você não tivesse o cabelo liso – era exatamente esse pensamento que passava na minha cabeça todas as vezes que me olhava no espelho. Daí, tomei coragem e fui até o cabeleireiro e pedi para que cortasse, foi quando me senti mesmo bonita e primeira vez na vida, sabia quem eu era. 

6 – Entrei na AIESEC! 

Sempre me achei muito velha para fazer parte de coisas tão jovens, sempre fui muito insegura para fazer grandes coisas, quando entrei na AIESEC, eles disseram: você é boa o bastante para fazer qualquer coisa, e foi ai que o ciclo começou. Nunca me desafiei tanto durante os três anos na organização, eu liderei pessoas! A pessoa mais insegura da Terra LIDEROU pessoas. Isso é para entrar para a história. 

2014 – Conhecido também como o ano em que mais viajei na vida. 

7 – Eu fui aos Estados Unidos! 

Isso aconteceu em 2014 e até hoje não acredito. Foi uma doideira e até contei aqui no blog nestes dois post aqui e aqui. New York é maravilhosa, uma das cidades mais incríveis que conheci na vida. Foi nessa viagem também que tive a minha primeira grande crise de ansiedade, por diversos momentos achei que morreria naquele hotel em Atlanta, aprendi muito sobre mim naquele hotel; Aprendi que até hoje não sei lidar com o fato de ter diversos sintomas de ansiedade e não ter ido buscar ajuda. Medo? Talvez. 

8 – Teve Copa do Mundo de Futebol… 

E com isso viajei para algumas cidades do nordeste trabalhando, conhecendo, me divertindo. Um dos momentos mais marcantes que tive com essa experiência foi fazer o desembarque da seleção de Gana, lembro que eles fizeram um grande círculo e agradeceram por estar ali. Foi lindo, emocionante e muito tocante. Além do mais conheci o Rio de Janeiro, Natal, Recife, Minas Gerais, Ilhéus e Porto Seguro. 

2015 

9 – Eu quebrei o pé, me afastei do trabalho, meus problemas psicológicos aumentaram e esse foi 2015 e fui ao show do Backstreet Boys de novo e isso fez 2015 valer a pena: Rever minhas amigas, meu grupo favorito. 
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<3 b="">2016 

10 – Que ano singular… Tanta coisa aconteceu. Tanta coisa aprendi. Também perdi muita coisa, pessoas entraram mais do que saíram, mas o que saíram deixaram algumas marcas doloridas. Não vou escrever muito sofre 2016, pois já escrevi lá no Facebook, o que precisamos saber é que 2016 foi um bom ano no final das contas, apesar de todas as coisas malucas que aconteceram e todas as perdas. 2017 vai ser intenso e insano e sinceramente, não quero fazer resoluções, tô tão cansada disso. Nunca cumpro todas e sempre fico frustrada. 

Enfim, essa foi a minha pequena retrospectiva, espero que tenham gostado, não tem nada poético, não tem nada OH MEU DEUS ISSO DARIA UM LIVRO, é só a vida acontecendo de uma forma muito rápida e a gente nem tá notando. 

Mas, assim... Eu cresci muito nos últimos anos e às vezes, a gente fica tão preso na bolha do fracasso que não consegue observar as pequenas coisas, de 2011 para cá foram só novos e bons aprendizados, alguns tombos? Sim, com certeza. Alguns sonhos realizados? Absolutamente! Alguns fracassos? Claro, afinal de conta fazem parte da vida. Com diria Keane "everybody changing and I don't feel the same"

Xêro.

terça-feira, 14 de junho de 2016

Viagem à Orlando: Parque do Harry Potter nos Parques da Universal! - Parte I

Olá, me chamo Claudia e a Ana Caroline, como vocês conhecem (pois a chamo de Cah), me convidou para escrever e me tornar colaboradora deste blog lindo dela. E eu aceitei, óbvio! Vocês irão ver posts meus por aqui a respeito de viagens, makes e moda.

Então decidi começar por um assunto que eu adoro e juntar uma das coisas que a Cah (vou chamá-la aqui de Cah, tá?), mais adora... Harry Potter. A Cah é uma Potterhead, se não sabiam disso, estão sabendo agora. Ela simplesmente ama HP e particularmente o Roni. 

E eis que ano passado eu consegui realizar o meu maior sonho. Viajar para Orlando e conhecer um dos parques da Disney e os parques da Universal. E é sobre esta viagem e um cantinho especial do parque Universal, o The Wizarding World of Harry Potter, que eu vou falar neste post. Para isso, vou dividir o post em partes. Pois é bastante informação e muita coisa pra falar e mostrar! E se você é Potterhead que nem a dona deste blog, você vai amar!!

Então pegue sua varinha e se prepare para se apaixonar e querer conhecer este lugar!

Vamos começar com uma pequena, mas muito importante, dica: Se você quer conhecer e ter a experiência completa do Parque do Harry Potter, você precisa comprar um ingresso Park-to-Park!! 
Este tipo de ingresso dá direito a você poder visitar os dois parques da Universal no mesmo dia, o Universal Studios e o Islands of Adventure e ter a incrível experiência de embarcar no Hogwarts Express!! Vou falar mais sobre isso depois, mas tenha isso em mente se pretende ir lá algum dia!

A entrada da Universal é pelo CityWalk, essa área é aberta mesmo se você não tiver ingresso pros parques, a única coisa que você tem que pagar é o estacionamento, que custa US$ 20, convertendo dá uns 66 reais, com o dólar a 3,30. Mas aqui vai uma outra dica, não fique convertendo tudo enquanto estiver lá, senão você acaba não gastando com nada, lembre-se que você está com dólar, não com real. E 60 reais pra ficar com o carro estacionado no parque o dia todo, até que não é caro. Isso, claro se você estiver de carro. Uma outra opção, sem gastar com transporte ou estacionamento, é usar o ônibus do parque; é de graça e ele passa em todos os hotéis, verifique no hotel em que estiver hospedado o horário de saída e retorno.

CityWalk - Entrada para os parques da Universal. Foto: Claudia Rocha

No CityWalk as opções são de bares, restaurantes e até complexo de cinema, estes ficam abertos até mesmo depois dos parques fecharem. Se estiver de carro, você pode ir pro hotel, se arrumar e voltar pra curtir a noite no CityWalk sem pagar o estacionamento, é só apresentar o ticket pago do dia. É uma ótima opção de lazer à noite.

Mas, vamos logo ao que interessa.
Você pode começar sua visita tanto pelo Universal Studios como pelo Islands of Adventure, Se possuir o ticket Park-to-Park, como mencionei antes. Você pode comprar ingressos pros dois parques separadamente, mas eles não vão te dar a possibilidade de embarcar no Hogwarts Express, para embarcar, somente com o Park-to-Park!! Não se preocupe se você esquecer de comprar este tipo de ingresso, você pode adicionar o park-to-park nos guichês de venda na entrada de um dos parques, mas para o seu orçamento, é melhor você já ter o park-to-park.
A diferença entre os dois parques é bem simples. No Universal Studios você vai encontrar: o Beco Diagonal, o ônibus Knight Bus e a Estação King's Cross. No Islands of Adventure fica a vila de Hogsmeade e claro, o castelo de Hogwarts!!

Eu sugiro que vocês comecem pelo Universal Studios, além de ser uma área menor, vocês vão ter a experiência de embarcar para Hogwarts.

Então, próximo post vou contar apenas sobre o Beco Diagonal e a Estação King's Cross.

segunda-feira, 21 de março de 2016

Como eu era antes de você, de Jojo Moyes.

Apesar de ser uma leitora assídua, poucos livros me deixaram tão devastada e com o coração tão apertado; a última vez que isso aconteceu foi com Um dia, de David Nichols e até hoje não sei se consegui superar todo aquele torpor de emoções que me invadiram, no entanto, um livro conseguiu essa façanha de me devastar completamente, esse livro foi “Me Before you” ou “Como eu era antes de você”, da Jojo Moyes. 

Disclaimer!!!

Antes de escrever os outros parágrafos desta resenha, devo avisar que estou sob forte emoção depois da leitura finalizada, então pode ser que uma coisa ou outra saia emocionada ou dramática demais. Estou muito triste, sério. 

Eu já tinha lido um romance da Jojo Moyes que abalou um pouco minha estrutura, trata – se de Um mais um, prometo que em breve faço a resenha dele, a escrita da autora é fácil, leve, parece que ela está sentada ao seu lado, com uma xícara de chá, te contando uma bela história. 

Em Como eu era antes de você, ela não foge à regra, só que dessa vez, ela tá segurando uma faca e apontando direto para o lado esquerdo do seu peito. Falei que seria dramática. 

Louisa Clark é uma jovem de 26 anos presa em suas roupas engraçadas e antiquadas, em um relacionamento sem perspectiva e em uma família que é sustentada por ela; desempregada e desesperada, ela tenta de todas as formas arrumar um emprego para manter a estabilidade financeira da família, nesse ínterim, consegue uma vaga como cuidadora de um homem tetraplégico por seis meses. 

Will Traynor é um cara de 35 anos, empresário, inteligente e espirituoso, no entanto, um acidente de moto o deixa tetraplégico e sua vida completamente muda completamente depois disso. Lou será a cuidadora de Will e é aí, onde a mágica começa. 

O relacionamento deles começa muito conturbado, mas depois, como magia, uma cumplicidade começa a surgir e o que era uma simples relação entre cuidadora e paciente, torna – se uma amizade e um amor intenso e lindo. 

Eu poderia, simplesmente, acabar a resenha dizendo: “Vocês precisam ler esse livro antes de ver o filme”, mas isso não seria o suficiente e sinceramente, não expressaria metade das coisas que preciso falar sobre essa obra, se bem que não tenho certeza se irei conseguir de qualquer maneira. 

A escrita de Moyes é um primor, como disse antes, parece que ela está sentada ao seu lado, contando a história, de cara, você não entende bem o que é tá acontece, mas no decorrer da leitura, as coisas começam a se encaixar e tomar forma ali diante dos olhos, e é uma sensação muito triste, pois o leitor começa a aceitar aquilo e mesmo que vez ou outra a esperança apareça, logo se esvai com o desenvolvimento do final. 

Esse livro me fez pensar em muita coisa. Fico pensando em Will, penso que ele poderia mesmo ter uma vida boa se não desistisse, mas também acredito que poderia ser igualmente miserável, mesmo ele estando do lado da mulher que amava e isso, e isso me faz lembrar Lou, uma pessoa que não tinha perspectiva, mas que descobre, através dele, que sua vida não pode e nem deve ser limitada a apenas aquilo que tinha que por sinal, era muito pouco. Louisa merecia mais e Will sabia e deu isso a ela e vice-versa. Todo o empenho dela para fazer a vida dele parecer um pouco melhor foi louvável, admirável e você podia, simplesmente, sentir o amor, e quando digo sentir, digo no sentido real da palavra. 

Sabe aquela máxima de A Culpa é das Estrelas, em que Hazel diz que Gus colocou alguns números a mais em seu infinito? É assim que acho que Lou e Will fizeram, eles deram mais números aos seus pequenos infinitos. 

Eu não vou falar sobre toda a parte técnica do livro, basta dizer que é muito bem feita, o que me deixou muito apaixonada pela história foi a descoberta de Lou, a descoberta de quem ela realmente ela além de casa e fora de um relacionamento sem perspectiva. 

Foi muito tocante ver todo o crescimento dela durante a leitura, é notória a mudança de Louisa no início da obra: acomodada, sem perspectiva e insegura para a Lou do final, assim como também vemos a mudança de Will e é isso que nos dá um pouco de esperança de que as coisas mudem no final, mas isso não acontece. 

Depois da leitura, parei um pouco para refletir sobre as escolhas e descobri que tenho um pouco de Louisa e Will em mim. Acho que todos têm. Perguntei-me por algumas vezes o que eu faria no lugar de Will, então lembrei que há um ano, quebrei o pé e fiquei totalmente dependente da minha família por alguns meses, foram meses e a sensação é péssima! Imagina ficar anos preso em uma cadeira de rodas? 

Algo que me chamou muita atenção foi como Jojo Moyes tratou dos problemas enfrentados pelos deficientes físicos, a autora não precisou gritar ou escrever diversos capítulos sobre isso; a pequena sacada no comportamento das pessoas, inclusive na própria família, mostra a sutiliza da autora para tratar do assunto. 

Como eu era antes de você não é apenas uma história de amor, acredito que é mais superação, sobre escolhas, sobre lidar e aceitar a escolha dos outros, mesmo que isso determine o futuro de uma delas; é sobre como alguém, mesmo sem querer, pode mostrar aonde você chegar, mesmo quando você não consegue ver. O final é muito previsível, é exatamente aquilo que você esperou acontecer durante toda a leitura, e apesar de se preparar para isso, dói; E você não aceita e você não supera, mas você entende e passa acreditar que alguns amores, para serem eternos, não precisam ser estar fisicamente unidos.


domingo, 6 de março de 2016

Ela queria conhecer o mundo.

Ela queria conhecer o mundo.

Pegou todas as suas coisas e jogou na cama,
dentro de uma pequena mochila tentou colocar tudo que podia:
roupas, comida, seu coração, sua vida, seus sonhos.

Ela queria conhecer o mundo.

Traçou rotas imaginarias no mapa de sua mente,
pegou incontáveis caronas com pessoas desconhecidas;
viveu com elas,
amou por elas.

Ela queria dar-se para o mundo.

Viveu o sonho de seus amigos.
Bebeu um drink de felicidade momentânea;
Apreciou o pôr-do-sol com desconhecidos;
Fez morada no coração deles.
Fez morada neles.

Ela queria conhecer o mundo

e

Ela conheceu a si mesma.