Hoje, durante uma reunião muito especial na Igreja, um homem o qual não me recordo o nome agora estava discursando e eu não estava prestando atenção em seu discurso até que uma única frase fez com que eu, finalmente, passasse a dar ouvidos ao que ele dizia.
A frase era: Perdoe a si mesmo.
Depois de um tempo fiquei meditando – até tomei nota no celular – e perguntei a minha amiga que estava sentada do meu lado exatamente isso: “Como você sabe que perdoou a si mesmo?” Quais os sentimentos característicos disto? Pedi para que ela não respondesse naquele momento e um pouco antes de terminar a reunião, ela chegou bem perto do meu ouvido e disse: “É quando você consegue seguir em frente com consciência limpa que não está deixando lá atrás”. Bom, é uma definição válida, afinal a gente sempre faz isso... A gente sempre segue em frente e nem sempre com a consciência limpa.
“E quando você continua seguindo em frente, mas com um peso enorme no coração?” foi a pergunta que fiz a ela logo em seguida. A resposta dela foi a mais sábia: “É porque você provavelmente deixou algo lá atrás”.
Diante da resposta dela, eu fechei meus olhos e pensei em algumas atitudes passadas e descobri que eu nunca perdoei a mim mesma.
Perdoar a si mesmo é a maior dádiva que alguém pode ter, antes mesmo que perdoar ou ser perdoado por alguém. Muitas vezes a gente comente erros e passamos a vida toda em busca do perdão e enfim, o conseguimos, mas mesmo assim, é como se o mundo estivesse nas suas costas, é como se o peso da sua cruz fosse tão grande que a única vontade que dá é de tirá-la das suas costas e sair andando.
É ai quando você fecha os olhos e vê que deixou algo incerto no passado; é ai que começa o processo talvez mais doloroso do que buscar o perdão de outra pessoa; é ai que você trilha um caminho em busca do seu próprio perdão.
Perdoar a si mesmo é amar a si mesmo, é respeitar seus limites, é respeitar a si mesmo. É procurar buscar sempre o melhor de nós para nós e para os outros.
Perdoar a si mesmo é ser forte, é se tornar forte...
O caminho para se buscar o próprio perdão é o mais doloroso, por que você não vê maneiras de não se culpar e às vezes, quando a gente encontra esse caminho, pode ser tarde demais.
Eu aprendi hoje que, não importa o quão perdoado você esteja, seja por Deus, seja por seu vizinho, seja por sua mãe, seu pai, não importa! Isso tudo não é válido quando você não tem a coragem de perdoar a você mesmo, tudo isso não é válido quando você não descobre que a culpa não foi sua.
Perdoar a si mesmo não é uma tarefa fácil, é tão ou mais difícil do que perdoar os outros ou correr atrás do perdão, mas a paz que a se deve sentir quanto consegue é tão abençoada quanto todas as outras.
Acho que, as pessoas que conseguem esse perdão são mais felizes, sorriem mais, vivem mais e comete menos erros. As pessoas que conseguem esse perdão podem seguir em frente com a “consciência limpa” e eu não sou uma delas.
Eu cometi muitos erros, muita injustiça com pessoas que não mereciam e provavelmente elas me perdoaram, mas eu nunca soube o que é não ter um peso nas costas depois disso.
Nunca me perdoei por muita coisa e pior do que isso é saber que talvez, eu nunca consiga.
Ana Caroline, aquela que resolveu aprender a perdoar a si mesma.


